quarta-feira, 27 de maio de 2009
Laboratório do Estado "não tem dúvida" que o produto da Energie é bomba de calor e não um painel solar
O ministro da Economia, Manuel Pinho, pediu ao Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), ex-INETI , que apurasse junto das entidades alemãs o que se passou com o processo de certificação e posterior anulação desta à empresa Energie, que fabrica painéis que designa por solares termodinâmicos.O ministro da Economia, Manuel Pinho, pediu ao Laboratório Nacional de Energia e Geologia (LNEG), ex-INETI , que apurasse junto das entidades alemãs o que se passou com o processo de certificação e posterior anulação desta à empresa Energie, que fabrica painéis que designa por solares termodinâmicos. Para o LNEG, está em causa o apuramento das razões do "dito por não dito", embora não tenha dúvidas de que, tecnicamente, o produto da Energie é uma bomba de calor e não um painel solar.A presidente do LNEG, Teresa Ponce de Leão, afirma que, do ponto de vista técnico, "a certificação provavelmente não deveria ter sido atribuída" por se estar perante uma bomba de calor e não de um painel solar térmico, como a empresa pretende que seja considerado. "Em termos técnicos, é uma bomba de calor, o LNEG não tem quaisquer dúvidas", declarou ao PÚBLICO. E acrescentou que quando a empresa diz que, de noite, produz energia, "obviamente não é solar, é uma compensação com base em energia eléctrica".Já do ponto de vista formal, acrescenta, a empresa tinha cumprido os requisitos para a campanha de incentivo à compra de painéis solares térmicos, que era ter um certificado Solar Keymark que comprovasse o produto como painel solar, passado por uma entidade autorizada. "O LNEG foi confrontado com o facto de a empresa ter um registo Solar Keymark e aí não se pronuncia".Teresa Ponce de Leão considera que "o processo não está esclarecido e que ainda não se sabe bem o que se passou", com "a atribuição de um certificado que depois foi retirado", tanto mais que a entidade alemã que certificou o produto da Energie, a qual tem fábrica na Póvoa de Varzim, pediu duas semanas para decidir o que vai dizer. Até esse momento, está em silêncio. "Ainda não há dados novos", diz a responsável pelo laboratório do Estado, que considera ser um "processo complicado e que não envolve apenas o Estado português" e garante estar em contacto com a Dincertco.Quanto ao facto de o LNEG não ter sido chamado a pronunciar-se previamente sobre este caso, antes de lhe ter sido dada autorização por parte do ministério, Teresa Ponce de Leão garante que o laboratório foi consultado, com reuniões na Direcção-Geral de Energia e Geologia, "sobre vários processos e certificados que suscitavam dúvidas". A Energie chegou a fazer parte desse pacote, mas "faltava o relatório da entidade certificadora", acrescenta. "Nós não conseguíamos pronunciar-nos sem esse relatório", reconhece a mesma responsável.O LNEG é a única entidade autorizada em Portugal a conceder o registo Solar Keymark. O recurso a entidades europeias autorizadas para o mesmo efeito é normalmente explicado como a forma mais rápida para se obter os referidos registos - no LNEG a fila de espera é de alguns meses.Sem o relatório da Dincertco, mas com a prova de registo, a Energie foi autorizada a entrar para o grupo das empresas produtoras e vendedoras de colectores solares térmicos, pouco depois de anunciar a expansão da sua unidade fabril. Nessa ocasião, contou com a presença do primeiro-ministro e do ministro da Economia. O certificado foi atribuído nos primeiros dias de Março e foi retirado um mês depois, perante as críticas de especialistas e da própria federação europeia do sector. A empresa foi acusada de estar a confundir os consumidores, ao vender bombas de calor como se fossem colectores solares térmicos. A entidade certificadora nada disse até hoje. O laboratório do Estado foi confrontado com uma certificação que diz que, provavelmente, não deveria ter sido atribuída
quarta-feira, 25 de março de 2009
SOLL 4-3
A seguir, a JOCEL irá contactar o Sr. Ministro da Economia e Inovação, para solicitar a inclusão da empresa na 'Medida Solar Térmico 2009', ameaçando com a deslocação da fábrica de montagem dos frigorificos e demais electrodomésticos, se não incluirem a sua empresa como o 4º parceiro desta medida, já que os seus frigorificos também são solares (se virarem o frigorifico para a janela, em dias de sol...).
Segunda polémica em dois anos à volta da Energie
A polémica voltou à empresa Energie, da Póvoa de Varzim, pela segunda vez em dois anos. A empresa divulgou hoje ser detentora de um certificado de sistemas solares térmicos passado por entidades europeias, no passado dia 10 de Março, que não convence os especialistas como Oliveira Fernandes, para quem equipamentos anunciados como funcionando com sol, céu nublado, chuva e à noite “não são solares”. “Energia solar é para captar energia solar”, remata.Na edição de hoje, o PÚBLICO dá conta do coro de protestos surgidos pela visita do primeiro-ministro e do ministro da Economia às instalações da Energie, por considerarem que a empresa faz “publicidade enganosa” a bombas de calor com recurso secundário a radiação solar, e que designa por painéis solares termodinâmicos. A ambiguidade de publicitação entre dois produtos que tecnicamente são considerados muito diferentes – colectores solares térmicos e bombas de calor - é a crítica feita à Energie, empresa presidida pelo empresário Luís Rocha, que é também presidente da Associação Comercial da Póvoa de Varzim, numa altura em que a energia solar é especialmente valorizada. Recentemente, o Governo lançou uma campanha de apoio à aquisição de colectores solares térmicos.Em comunicado emitido hoje, a empresa responde que as “acusações são falsas” e garante possuir certificações passadas pela Solar Keymark (dinamarquesa) e pela Dincertco (alemã), consideradas entidades de topo nesta área. “Estas certificações atestam o produto da Energie como sistema solar térmico”, afirma.Foi com esta certificação que a empresa diz ter garantido a inclusão no conjunto de empresas que podem aceder à campanha do Governo. Também a porta-voz do gabinete de Manuel Pinho se manifestou contra a notícia do PÚBLICO, afirmando que “a empresa cumpre os critérios para as empresas de colectores solares térmicos”. Escusou-se, no entanto, a comentar a ambiguidade no discurso da empresa entre os equipamentos que usa e a designação que lhes dá – tal como se vê na sua página na Internet – durante a visita dos dois governantes, marcada para promover colectores solares térmicos e não sistemas de bombas de calor. A visita assinalou a entrada em expansão da Energie que vai, segundo a própria, "duplicar a produção de 12 mil painéis solares termodinâmicos para 24 mil painéis solares termodinâmicos por ano". O certificado apresentado hoje pela empresa é a folha de rosto de um documento onde se menciona a conformidade da unidade da Póvoa de Varzim na produção de “sistemas solares térmicos” do tipo “Eco 300esm”. As especificações da certificação não foram divulgadas. Numa busca na Internet ao tipo de sistema referido, o PÚBLICO encontrou imagens referenciadas a uma tecnologia francesa de um reservatório termocumulador, mas não de colectores solares, mencionando-se ainda a utilização de “fluído frigorígeno”, à semelhança dos sistemas termodinâmicos da Energie.Este não é o primeiro confronto entre a Energie e o sector, fragmentado por diversas marcas. Em Setembro de 2007, perante uma iniciativa de publicitação desta tecnologia por parte da Energie, a Sociedade Portuguesa de Energia Solar (SPES) emitiu então um comunicado, alertando que o equipamento publicitado surgia “abusiva e erroneamente” designado por colector solar, quando – acrescentava -“não é mais do que uma simples bomba de calor, visto que o suposto painel não é mais do que um evaporador”.No comunicado, a SPES notava ainda que a própria empresa, na sua página na Internet, “reconhece que os painéis solares captam de noite e do vento, deixando para a incidência do sol uma situação de apenas benefício suplementar ao equipamento mas não essencial, o que, desde logo, condena o equipamento enquanto colector solar”."É claro que a temperatura do ar, o vento e a chuva - tudo é comandado pelo sol. Mas é evidente que o promotor se baseia na associação à energia solar, isto é, da radiação do sol para vender as suas bombas de calor”, escreveu a SPES na altura.O actual presidente da SPES e presidente da Endesa Portugal, Nuno Ribeiro da Silva, disse hoje ao PÚBLICO que reitera a posição assumida em 2007 pela SPES sobre os painéis termodinâmicos. Quanto ao certificado anunciado ontem, adianta que a “associação tomará uma posição quando souber do que se trata”.A SPES é uma associação que congrega os interesses do sector, criada em 1980 e inclui entre os seus objectivos prioritários a promoção da energia solar em Portugal, “assegurando a qualidade dos equipamentos e serviços”. É também a delegação portuguesa da International Solar Energy Society.Do ponto de vista técnico, sistemas como o da Energie são classificados fora da energia solar, por consumirem substancialmente mais energia eléctrica. Neste caso concreto, o sistema termodinâmico consome 10 vezes mais energia eléctrica do que um colector solar térmico.
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24.03.2009 - 21h30 Lurdes Ferreira
Especialistas de energia denunciam "embuste" na visita de Sócrates e Pinho à Energie
Para assinalar a segunda fase de expansão da fábrica
A visita de José Sócrates e de Manuel Pinho às instalações da Energie para assinalar a segunda fase de expansão da fábrica que produz o que designa por "painéis solares termodinâmicos" está a desencadear uma série de protestos por parte dos principais responsáveis pela investigação e indústria solar no país."É uma empresa que assenta a sua propaganda num embuste", denuncia Eduardo Oliveira Fernandes, ex-secretário de Estado da Energia e académico que desenhou a política energética do actual Governo, no que é acompanhado por Nuno Ribeiro da Silva, presidente da Endesa Portugal e presidente da Sociedade Portuguesa de Energia Solar (SPES), e por Manuel Collares Pereira, considerado um dos principais especialistas em energia solar no país, ex-investigador do INETI e responsável pela empresa fabricante de painéis solares térmicos Ao Sol. Os três especialistas clamam que o produto da Energie, fabricado na Póvoa de Varzim, é "publicidade enganosa" - mostram tratar-se de uma bomba de calor accionada a electricidade com apoio secundário em energia solar e não de um painel solar térmico - e atribuem o incentivo político do primeiro-ministro e do ministro da Economia, com a visita efectuada, a uma possível ausência de apoio técnico adequado pelos respectivos gabinetes. Também a associação ambientalista Geota se associa às críticas. "A pretexto de vender energia solar, [a Energie] vende mais electricidade", diz Manuel Ferreira dos Santos, um dos responsáveis da organização, que equipara o funcionamento do sistema da Energie a um "frigorífico ao contrário" que continua a ser alimentado por energia eléctrica, não solar, restando o que diz ser uma "acção de marketing bem conseguida".Os especialistas referidos sublinham que a tecnologia da Energie "não está em causa" enquanto bomba de calor. "Sendo eficiente" e uma tecnologia conhecida há mais de duas décadas, frisam que esta "não é energia solar".Ontem, na visita dos dois governantes à fábrica, o presidente da Energie, Luís Rocha, que se tem batido pelo reconhecimento do seu produto como tecnologia solar, era um homem satisfeito, ao revelar que a empresa foi considerada parceira do Governo no programa de apoio à instalação dos painéis solares térmicos. Esta inclusão permite à Energie aproveitar a onda de incentivo ao sector solar térmico em termos de mercado e aceder a apoios majorados. Um reconhecimento formal como tecnologia solar terá, no entanto, de passar por outras instâncias, nomeadamente a Comissão Europeia, com os especialistas a admitirem que Bruxelas chumbará a ideia. Os chamados painéis solares termodinâmicos na origem da discórdia usam o mesmo princípio dos frigoríficos, mas ao contrário. Ou seja, enquanto um frigorífico usa o condensador (grelha nas traseiras) e o evaporador (chapa no interior) para arrefecer o ar interior do aparelho aquecendo o de fora (a grelha preta traseira está normalmente a uma temperatura superior à temperatura ambiente), a tecnologia da Energie usa o mesmo condensador e evaporador, com recurso a electricidade, para aquecer a água (podia ser ar). O painel colocado no telhado funciona como evaporador: recebe a temperatura do ar ambiente exterior, que se junta à energia produzida pelo equipamento, contribuindo para aumentar a sua eficiência. Em relação a equipamentos congéneres de aquecimento térmico a electricidade, estas bombas de calor de água são consideradas mais eficientes. Do ponto de vista técnico, o sistema da Energie é classificado fora da energia solar, dado consumir 10 vezes mais energia eléctrica do que um colector solar térmico.
A visita de José Sócrates e de Manuel Pinho às instalações da Energie para assinalar a segunda fase de expansão da fábrica que produz o que designa por "painéis solares termodinâmicos" está a desencadear uma série de protestos por parte dos principais responsáveis pela investigação e indústria solar no país."É uma empresa que assenta a sua propaganda num embuste", denuncia Eduardo Oliveira Fernandes, ex-secretário de Estado da Energia e académico que desenhou a política energética do actual Governo, no que é acompanhado por Nuno Ribeiro da Silva, presidente da Endesa Portugal e presidente da Sociedade Portuguesa de Energia Solar (SPES), e por Manuel Collares Pereira, considerado um dos principais especialistas em energia solar no país, ex-investigador do INETI e responsável pela empresa fabricante de painéis solares térmicos Ao Sol. Os três especialistas clamam que o produto da Energie, fabricado na Póvoa de Varzim, é "publicidade enganosa" - mostram tratar-se de uma bomba de calor accionada a electricidade com apoio secundário em energia solar e não de um painel solar térmico - e atribuem o incentivo político do primeiro-ministro e do ministro da Economia, com a visita efectuada, a uma possível ausência de apoio técnico adequado pelos respectivos gabinetes. Também a associação ambientalista Geota se associa às críticas. "A pretexto de vender energia solar, [a Energie] vende mais electricidade", diz Manuel Ferreira dos Santos, um dos responsáveis da organização, que equipara o funcionamento do sistema da Energie a um "frigorífico ao contrário" que continua a ser alimentado por energia eléctrica, não solar, restando o que diz ser uma "acção de marketing bem conseguida".Os especialistas referidos sublinham que a tecnologia da Energie "não está em causa" enquanto bomba de calor. "Sendo eficiente" e uma tecnologia conhecida há mais de duas décadas, frisam que esta "não é energia solar".Ontem, na visita dos dois governantes à fábrica, o presidente da Energie, Luís Rocha, que se tem batido pelo reconhecimento do seu produto como tecnologia solar, era um homem satisfeito, ao revelar que a empresa foi considerada parceira do Governo no programa de apoio à instalação dos painéis solares térmicos. Esta inclusão permite à Energie aproveitar a onda de incentivo ao sector solar térmico em termos de mercado e aceder a apoios majorados. Um reconhecimento formal como tecnologia solar terá, no entanto, de passar por outras instâncias, nomeadamente a Comissão Europeia, com os especialistas a admitirem que Bruxelas chumbará a ideia. Os chamados painéis solares termodinâmicos na origem da discórdia usam o mesmo princípio dos frigoríficos, mas ao contrário. Ou seja, enquanto um frigorífico usa o condensador (grelha nas traseiras) e o evaporador (chapa no interior) para arrefecer o ar interior do aparelho aquecendo o de fora (a grelha preta traseira está normalmente a uma temperatura superior à temperatura ambiente), a tecnologia da Energie usa o mesmo condensador e evaporador, com recurso a electricidade, para aquecer a água (podia ser ar). O painel colocado no telhado funciona como evaporador: recebe a temperatura do ar ambiente exterior, que se junta à energia produzida pelo equipamento, contribuindo para aumentar a sua eficiência. Em relação a equipamentos congéneres de aquecimento térmico a electricidade, estas bombas de calor de água são consideradas mais eficientes. Do ponto de vista técnico, o sistema da Energie é classificado fora da energia solar, dado consumir 10 vezes mais energia eléctrica do que um colector solar térmico.
Energia eólica pode chegar a 60% dos lares europeus em 2020
Em 2020, a energia eólica gerada na Europa poderá abastecer o equivalente a 60 por cento dos lares europeus, sustenta hoje a Associação Europeia da Energia Eólica (EWEA).
Essa quantidade corresponderia a uma capacidade instalada de energia de procedência eólica de 230 gigawatts, que é a meta apontada pela EWEA, segundo anunciaram os seus responsáveis numa conferência que hoje começou em Marselha.
Arthouros Zervos, presidente desta Associação, defendeu as perspectivas em crescendo do aproveitamento desta energia renovável, apoiadas pelos objectivos assinalados na directiva comunitária de Energias Renováveis, na sequência do acordo alcançado em 2008.
Os 230 gigawatts são um aumento em relação aos 180 que a própria associação tinha apostado como objectivo anteriormente, explicou Zervos, precisando, no entanto, que só se alcancrá essa meta se todos os Estados comunitários cumprirem com os prazos previstos.
A energia gerada por esses 230 gigawatts seria suficiente para abastecer o equivalente a 135 milhões de lares de tipo médio na UE e assim se forneceria entre 14 a 18 por cento da procura eléctrica em 2020, acrescentou Zervos.
O comissário europeu da Energia, Andris Pielbags, afirmou na mesma conferência que "a energia eólica pode substituir em grande medida os combustíveis contaminantes e finitos de que actualmente dependemos", segundo um comunicado dos organizadores da reunião.
De acordo com dados da Comissão Europeia, 3,5 por cento das reservas certificadas de carvão estão na UE mas os países da União Europeia só têm 2 por cento das de gás, menos de 2 por cento das de urânio e abaixo de 1 por cento das de petróleo de todo o mundo.
"Com o tempo a Europa perderá a batalha", alertou o comissário, recordando que as empresas europeias têm duas terças partes do mercado mundial da tecnologia da energia eólica, avaliada em 35 mil milhões de dólares.
A reunião de Marselha, que decorre até quinta-feira, abordará outros temas relacionados com a energia eólica, como assuntos políticos, técnicos e científicos.
No sábado, no Mindelo, São Vicente, o primeiro-ministro, José Sócrates, frisou para uma plateia maioritariamente constituída por estudantes universitários, que Portugal tem "a quarta maior empresa mundial na área das energias renováveis".
"Temos o maior parque eólico da Europa e estamos a mudar o nosso paradigma energético em Portugal", sustentou ainda.
Sócrates prometeu auxiliar Cabo Verde nos seus projectos de desenvolvimento de energias renováveis, manifestando-se disponível para transferir tecnologia nacional e incentivar a participação de empresas portuguesas em parcerias.
As palavras de José Sócrates foram proferidas no pólo de São Vicente da Universidade de Cabo Verde, após a assinatura de um memorando entre os governos de Portugal e de Cabo Verde, prevendo a abertura de uma linha de crédito de 100 milhões de euros para apoiar projectos cabo-verdianos na área das energias renováveis.
Essa quantidade corresponderia a uma capacidade instalada de energia de procedência eólica de 230 gigawatts, que é a meta apontada pela EWEA, segundo anunciaram os seus responsáveis numa conferência que hoje começou em Marselha.
Arthouros Zervos, presidente desta Associação, defendeu as perspectivas em crescendo do aproveitamento desta energia renovável, apoiadas pelos objectivos assinalados na directiva comunitária de Energias Renováveis, na sequência do acordo alcançado em 2008.
Os 230 gigawatts são um aumento em relação aos 180 que a própria associação tinha apostado como objectivo anteriormente, explicou Zervos, precisando, no entanto, que só se alcancrá essa meta se todos os Estados comunitários cumprirem com os prazos previstos.
A energia gerada por esses 230 gigawatts seria suficiente para abastecer o equivalente a 135 milhões de lares de tipo médio na UE e assim se forneceria entre 14 a 18 por cento da procura eléctrica em 2020, acrescentou Zervos.
O comissário europeu da Energia, Andris Pielbags, afirmou na mesma conferência que "a energia eólica pode substituir em grande medida os combustíveis contaminantes e finitos de que actualmente dependemos", segundo um comunicado dos organizadores da reunião.
De acordo com dados da Comissão Europeia, 3,5 por cento das reservas certificadas de carvão estão na UE mas os países da União Europeia só têm 2 por cento das de gás, menos de 2 por cento das de urânio e abaixo de 1 por cento das de petróleo de todo o mundo.
"Com o tempo a Europa perderá a batalha", alertou o comissário, recordando que as empresas europeias têm duas terças partes do mercado mundial da tecnologia da energia eólica, avaliada em 35 mil milhões de dólares.
A reunião de Marselha, que decorre até quinta-feira, abordará outros temas relacionados com a energia eólica, como assuntos políticos, técnicos e científicos.
No sábado, no Mindelo, São Vicente, o primeiro-ministro, José Sócrates, frisou para uma plateia maioritariamente constituída por estudantes universitários, que Portugal tem "a quarta maior empresa mundial na área das energias renováveis".
"Temos o maior parque eólico da Europa e estamos a mudar o nosso paradigma energético em Portugal", sustentou ainda.
Sócrates prometeu auxiliar Cabo Verde nos seus projectos de desenvolvimento de energias renováveis, manifestando-se disponível para transferir tecnologia nacional e incentivar a participação de empresas portuguesas em parcerias.
As palavras de José Sócrates foram proferidas no pólo de São Vicente da Universidade de Cabo Verde, após a assinatura de um memorando entre os governos de Portugal e de Cabo Verde, prevendo a abertura de uma linha de crédito de 100 milhões de euros para apoiar projectos cabo-verdianos na área das energias renováveis.
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