Os milhões que o primeiro-ministro disse estarem a fluir dos cofres do Estado para as empresas, por via do programa de pagamento de dívidas em atraso, não estão a chegar às empresas de construção civil. As Pequenas e Médias Empresas também se dizem a zeros.
Os dirigentes do sector da construção civil dizem-se credores do Estado em cerca de 1,9 mil milhões de euros. Deste montante, mais de metade, cerca de mil milhões de euros, são devidos pelas autarquias. A Administração Central deve às empresas do sector da construção cerca de 900 milhões de euros, contas feitas pelos responsáveis do sector.
"Isto continua como antes, ou seja as empresas de construção não receberam, não houve nenhum reflexo do anúncio do senhor primeiro-ministro", disse Reis Campos, presidente da Federação das Associações dos Industriais da Construção Civil."O sector da construção continua a ser credor do Estado, quer das autarquias quer da administração central", acrescentou, em declarações à rádio TSF.
De acordo com Reis Campos, as empresas da construção civil não notam os efeitos do programa "Pagar a tempo e horas", em vigor há quase um ano, nem viram resultados palpáveis das palavras de José Sócrates. O primeiro-ministro disse, recentemente, na Assembleia da República, que o Estado já havia regularizado dívidas no valor de 1,4 mil milhões de euros. Na ocasião, Paulo Rangel, líder da bancada parlamentar do PSD, acusou o Governo de estar só a regularizar as dívidas ao sector da Saúde, que considerou um caso à parte.
Segundo Reis Campos, não só não entra o dinheiro do programa "Pagar a tempo e horas", como cada vez é mais difícil receber das autarquias, ainda que tarde e a más horas. "O prazo de pagamento médio das autarquias é de 8,1 meses", disse. "Nunca desde 2004 tivemos uma situação igual", acrescentou.
Entre as Pequenas e Médias Empresas, também não se nota o dinheiro anunciado por Sócrates. "Nos contactos permanentes que mantemos com os nossos dirigentes e com os associados não temos notícia que isso tenha ocorrido", disse à TSF o presidente da associação PME Portugal, Joaquim Cunha.
Uma visão acentuada pela Associação Empresarial de Portugal, que diz, que até ao momento, não foi paga qualquer dívida. Construção não recebeu um cêntimo do pagamento de dívidas do Estado
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
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